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Atraso na Linguagem Infantil

A aquisição e o desenvolvimento da linguagem são marcos importantes no desenvolvimento de uma criança. O “começar a falar” é um momento muito especial para os pais.

Espera-se que no primeiro ano de vida, as crianças iniciem a produção das primeiras palavras (“papá, mamã, dá, qué, etc”) e a partir do segundo ano, as palavras são combinadas e as primeiras frases começam a aparecer. Quando tais habilidades não aparecem ou demoram a aparecer, há motivos justos de preocupação.

Os atrasos de linguagem não têm, todos, a mesma origem, a mesma evolução. Sob o rótulo “problemas de linguagem” ou “atraso de linguagem” misturam-se problemas diversos em sua expressão, origem e gravidade (Airmard, 1998). Crianças com atraso de linguagem, não apresentam necessariamente o mesmo problema ou as mesmas dificuldades. Algumas não irão precisar de atendimento terapêutico específico e apenas com orientações aos pais, poderão superar o atraso. Outras necessitarão de atendimento terapêutico para superarem suas dificuldades e por outro lado, outras, mesmo com atendimento, não conseguirão superar totalmente as dificuldades que poderão persistir até a idade adulta.

Diagnosticar e, conseqüentemente, reabilitar essas crianças com programas de intervenção adequados e efetivos às suas dificuldades, não é uma tarefa fácil. Como a criança está em fase de desenvolvimento, é comum, pensar que com o tempo, a criança irá falar. Trabalhando diariamente nesta área, é comum, ouvir dos pais os seguintes comentários: “achei que com o tempo ele começaria a falar”; “fui orientado a colocá-lo na escola para este problema passar”; “o pai dele também demorou para falar”; “ele não fala porque é acomodado e preguiçoso”; “ele ainda é muito novinho, por isso não fala”; “me disseram que com 5 anos ele iria começar a falar”; “me disseram que meninos demoram mesmo para falar”, dentre outros.

Infelizmente no Brasil, queixas relacionadas ao atraso de linguagem, ainda não são adequadamente analisadas, interpretadas e valorizadas.

Um outro aspecto, que também é desconhecido por muitos pais e até por profissionais da área, é que a linguagem oral está diretamente relacionada à aprendizagem. Crianças que apresentaram problemas ou dificuldades na linguagem poderão apresentar futuramente dificuldades acadêmicas, por isso, o diagnóstico e o tratamento precoce são fundamentais.

Muitas vezes, os pais procuram ajuda para os seus filhos que estão com dificuldades na escola, e quando investigado, podemos constatar que tais dificuldades, já estavam presentes desde muito cedo na linguagem oral e não foram diagnosticadas, e muito menos, tratadas.

O diagnóstico de atraso/alteração/distúrbio de linguagem, é de competência do Fonoaudiólogo, de um especialista em Linguagem Infantil. Pais, professores, outros profissionais da saúde, podem identificar ou suspeitar que o desenvolvimento da linguagem de uma criança não está adequado, porém cabe ao Fonoaudiólogo diferenciar, diagnosticar, e conseqüentemente, elaborar um programa de intervenção específico e eficiente para cada caso.

Diante da queixa trazida pelos pais ou pelos professores da criança, de “atraso na linguagem”, muitos questionamentos são fundamentais, para chegarmos ao diagnóstico preciso e correto. A criança apresenta habilidades lingüísticas esperadas para sua idade cronológica? A criança apresenta dificuldade apenas na área da linguagem? É um atraso específico ou ela apresenta dificuldades também em outras áreas do desenvolvimento, como por exemplo, na coordenação motora, no desenvolvimento simbólico, na interação social, no comportamento? É um atraso ambiental, por falta de estímulos adequados? Os pais ou a babá que passa o dia com a criança estimulam-a de forma adequada? A criança vive em um ambiente bilíngüe? Qual é a língua falada com a criança? Outras pessoas da família, também já apresentaram ou apresentam dificuldades de linguagem ou de aprendizagem? A criança nasceu prematuramente? A criança ouve bem? A criança freqüenta escola? A criança apresenta alguma intercorrência neurológica que justifique a dificuldade? Lesões em áreas cerebrais específicas podem afetar o desenvolvimento da linguagem.

A criança apresenta algum déficit intelectual ou cognitivo? Crianças por exemplo, com Deficiência Intelectual podem apresentar atraso na linguagem.

É uma criança que apesar de aparentemente não ter nenhum problema, que já realizou vários exames com resultados normais, não está conseguindo desenvolver a linguagem da forma esperada? Como a criança se relaciona com os pais? E com as outras crianças? Como a criança brinca? Dentre outros…

Além de investigar todos estes aspectos, a linguagem da criança também deve ser avaliada de forma minuciosa. Ou seja, quando falamos em linguagem, várias habilidades estão envolvidas neste processo dinâmico e complexo. Em qual aspecto da linguagem, a criança apresenta mais dificuldade? Na expressão/produção da linguagem, na compreensão ou em ambos? No vocabulário? Na aprendizagem de novas palavras? Na estruturação das frases? Nos aspectos gramaticais? No uso dos verbos, pronomes? Nos aspectos fonético-fonológicos (produção dos sons da fala)? Na elaboração oral? No relato de fatos? No uso funcional e social da linguagem? É um atraso de linguagem ou é um distúrbio de linguagem? É temporário ou será persistente? As dificuldades de linguagem oral irão afetar a aprendizagem?

Conforme escrevi no início deste artigo, diagnosticar e compreender um atraso de linguagem não é uma tarefa fácil…
Mas é importante esclarecer, que embora não seja uma tarefa fácil, é possível e necessária!

Quando procurar ajuda?

Sempre que houver dúvidas se o desenvolvimento da linguagem está adequado ou não. Dúvidas e queixas devem ser sempre consideradas. Não existe uma idade padrão para a avaliação da linguagem.

Texto elaborado por: Dra. Elisabete Giusti

Elisabete Giusti

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